Tuesday, 14 February 2017

Primeiro Passo


era
tomar Brasília.
Inter
ditar
o aeroporto,
invia
bilizar
o congresso
e aí começar
tomando
de volta
tudo que
é terra é mato
é pedra é água
tudo de volta
para beiradeiros
ribeirinhos
quilombolas
índios
populações atingidas
por barragens
[...
Dissolver
o
Estado
n' ácida saliva de Gaia

Ontem


Ontem,
senti seu
coração
batendo
na ponta
da minha
língua.

Ode Odoyá

Que a espuma 
de teus cabelos
envolva a tarde 
do dia que amanhece
em tuas ondas, 
cardumes 
e pedras.
Cama de flores, 
teus braços,
que os barcos acolhem
no fundo das águas
e os rios te recolhem
a descansar o ano inteiro
depois de fevereiro

dos furdunços do Mar.

Guias.

2 de fevereiro de 2013.

Enquanto você dormia

(...), 

(...) (...), 
 
(...) (...) (...) 

ao longe,

rente a linha, 


além da ilha 

sobre o mar,

casas cargueiros

carruagens chegando

acendem o fogo

na mata:vento forte

flor nasce, surpresa

o cheiro de chuva,

que dançava comigo

na hora da morte,

enquanto você dormia.

Ô Iá


respiro e penso
que a hora pede
foco e coração 
aperta, ora bate,
ora concentra
alinhamentos equilíbrios e retornos
de fluxos em devir-
começo, devir-
transformação,
devir-devir...
limiar de vértices
de vetores
que desenham
coordenadas
nos mapas
do cosmo
(caosmo)
esquizorealidade,
perimetral,
logo mais
pode ser
muito tarde.
Irôko ensina
às formas
da paciência
que o tempo
condensa e
nos aguarda,
no sonho,
na sede,
na sorte
que rega
as horas
e na surpresa
que é o mistério
do instante que
quer abstrair
o absurdo
enquanto os pés
caminham lentos
pela areia dos dias
e amanhecer
é uma lição divina,
na qual amar
faz morar,
em nós,
a manhã...

ALMA

Tua aura
é rua astral
da louca lua 
que ria loba
na gira da bola
azul e branca
do colar de Yèyé
omo ejá, ora,
e de uma hora
pra outra trans-
forma a forma
de tudo, toda
luz real que
vem do mar,
de além, que
vem da fonte
verde de força
e fé-cega "faca
só lâmina", lá na
lama de Nanã,
de onde vem
Obaluaiyê, Obá.
Sopro alma ao
vento, lanço o
corpo ao tempo,
tento ao menos
mar, tanto mar
que a linha que
contorna o luar,
o astro circunfere
a fera azulada no
azuleijo colonial da
esquina do Sto.
Antônio Além
do Carmo, como
o cais por toda
Barra, salvador
de náufragos...

C.C.S.Alvarenga,
Janeiro, 2017
Às gentes
que morrem
nesses encontros
de pernas
que escorrem 
nestes dias em
que sóis cegos
escorregam pelas
tardes quentes
onde as gentes
úmidas suam
e sangram rios
que singram
vales no cosmo
como as estrelas
(dos dentes?) nos
céus das bocas
em avermelhados
crepúsculos... e
medram e mordem
mundos e se mudam
de lugar as coisas
silenciosas, só sentindo
o veneno a correr-lhes
nas veias, enquanto
irascíveis se esmilinguém
em outros e outras toadas
e gritos de iluminação e horror.
C.C.S. Alvarenga,
janeiro, 2017.